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Publicado: Quarta, 11 de Abril de 2018, 11h52 | Última atualização em Terça, 26 de Junho de 2018, 13h17 | Acessos: 318

SÍNTESE HISTÓRICA

 São mais de três quartos de século de trabalho diuturno que a Medicina Militar presta assistência em saúde à família militar e à sociedade como um todo.

Mas na realidade esses benefícios inseridos pelo Corpo de Saúde do Exército, neste Rincão da Pátria, se perde na bruma dos tempos.

O nosso Município nasceu de um Acampamento Militar e quando Dom Diogo de Souza, daqui partiu em 1811, com o seu Exército de Pacificação, em direção ao Uruguai, deixou várias centenas de estropiados e doentes, naquele inverno rigoroso do princípio do século passado.

O Capitão Ricardo Antônio de Melo e Albuquerque ficou encarregado dos Assuntos Civis e Governo Militar, auxiliado pelo Tenente Pedro Fagundes de Oliveira, ambos detentores de Sesmarias nesta região. Tudo indica que não tenham ficado medicamentos e nem profissionais para atender aquele vasto e precário Hospital, informalmente instalado em ranchos de torrão.

De todo modo, o Capitão Ricardo Albuquerque, ascendente do nosso escritor maior – ÉRICO VERÍSSIMO – teve de cuidar da saúde daquelas pessoas no pequeno Hospital improvisado, e assim começa a história de prestação de serviço na área da saúde, de caráter militar, com o nascimento de Bagé.

Entre 1811 e o inicio da Revolução Farroupilha o Governo Colônia e depois do Império mantiveram fracos efetivos estacionados no incipiente povoado. Ao eclodir a Revolução de 1835 havia aqui o 2º Regimento de Cavalaria, com ínfimo efetivo, cerca de 100 homens, sendo alguns destacados na linha de fronteira.

Entre 1835 e 1845 a região da Campanha do Rio Grande do Sul esteve nas mãos dos farroupilhas.

Terminada a Revolução veio aqui estacionar o 8º Batalhão de Fuzileiros, que em 1848, recebia o Alferes Cirurgião Ajudante – Dr. JOSÉ XAVIER DA COSTA, Formado pela Faculdade de Medicina da Bahia, para desempenhar as funções que hoje denominamos Chefe da Formação Sanitária.

O 8º Batalhão de Fuzileiros tomou parte na Campanha de 1851/52 contra Oribe e Rosas, devendo o referido médico ter acompanhado a Unidade.

Os primeiros registros que se dispõe dizem que o Tenente Médico XAVIER DA COSTA chefiou a Enfermaria Militar de Bagé, possivelmente no decênio 50/60. Na sua biografia aparece como fundador do ATENEU BAGEENSE, em 1863 e de ter tomado parte da Guerra do Paraguai.

Em 1860 iniciam-se as obras do aquartelamento do 5º Regimento de Cavalaria, neste local aonde se encontra hoje o Hospital de Guarnição.

Quando o 5º RC mudou-se para o aquartelamento do atual 3º Batalhão Logístico, a Enfermaria Militar que ocupava as dependências da Beneficência Portuguesa, onde hoje está o MUSEU DOM DIOGO DE SOUSA, foi transferida para o velho aquartelamento do 5º RC, em precárias condições de conservação.

No fim da década de 60, mais precisamente, em abril de 1869 o Exército adquire uma grande gleba, nos arredores do aquartelamento do então 2º RC, aonde hoje está o Quartel General, que abrangia a área do atual 3º Batalhão Logístico, a Praça Dr. Albano, da antiga Estação Rodoviária, o terreno onde está o Museu Dom Diogo de Sousa, cerca de um terço da Praça Julio de Castilhos. Com a mudança do 5º RC para o novo aquartelamento, o velho prédio foi ocupado pela Enfermaria Militar.

Em 1890 a Enfermaria Militar de Bagé foi elevada a nível de Hospital Militar e teve como Chefe o Major Médico AGRIPINO RIBEIRO PONTES, o Corpo Médico era formado pelos Drs. Benjamin Targiny Moss e Augusto Lúcio Figueiredo Teixeira.

Respondiam pelo setor farmacêutico, o 1º Ten BERNARDO FLORIANO CORREA DE BRITO e Alferes LUCINDO DE ALMEIDA SIMOES.

O Hospital Militar tinha uma função denominada Enfermeiro-Mor e aqui era desempenhada por ANTONIO FERNANDES DE OLIVEIRA, o qual ficou fora do centro de resistência da Praça da Matriz, entende-se Praça da Catedral, em 1893, tendo sido aprisionado pelos revoltosos e obrigado a prestar socorro aos revolucionários feridos, praticando cirurgias para extração de balas.

Em 1898, foi formalizado a doação do terreno aonde se situa o nosso Hospital, feito pelos descendente do Barão de Bagé – Almirante Paulo da Silva Gama, que recebeu da coroa os Rincões de Santa Tecla e Cavalhada. Essas terras abrigam o perímetro da atual Cidade de Bagé.

No início deste Século, o efetivo militar foi reduzido e o Regimento de Artilharia passou a Grupo, tendo o Hospital Militar voltado à condição de Enfermaria.

Em 18 de junho de 1919, a Enfermaria Militar de Bagé, passa a denominação de Hospital Militar, agora com o acréscimo de 2ª Classe, que se refere, não a qualidade do atendimento prestado, mas sim a extensão dos seus serviços. Essa classificação ainda permanece, tanto em Campanha como em Tempo de Paz.

Esta é a data que hoje comemoramos, mas a tradição e os registros históricos indicam que a Medicina Militar está presente entre nós desde o início do século XIX, como já vimos.

Na administração EPITACIO PESSOA, era Ministro da Guerra o Engenheiro PANDIÁ CALÓGERA. Esse estadista imprimiu um ritmo de construção dentro do Exército que até hoje causa admiração. Como foi possível realizar tantas obras? Como conseguir recursos financeiros dentro de um pais de poder Nacional fraco, exportador de café e bananas.

Pois bem, foi nessa época que se demoliu as edificações antigas que abrigaram o antigo 5º RC e depois o Hospital Militar e Enfermaria Militar e, em seu lugar se edificou um complexo hospitalar moderno, aproveitando-se do antigo, um pavilhão destinado ao isolamento e outro que era a casa do Enfermeiro-Mor se transformou no almoxarifado, sendo que o necrotério é hoje a capela. Essa nova unidade de saúde foi inaugurada em novembro de 1923.

O Major Médico Octaviano de Abreu Goulart estava de parabéns. Recebia as instalações recém terminadas.

O novo Hospital, é dito do “Tipo Calógera”, pois as construções eram padronizadas, creio que sofriam a influência do Exército Francês, cuja doutrina militar utilizávamos, visto terem sido eles vencedores da 1ª Guerra Mundial. O fato das enfermarias serem separadas umas das outras, se por um lado beneficiava os preceitos de higiene e profilaxia da época, por outro lado a experiência foi mostrado ser muito desconfortável para o pessoal de saúde, quando se deslocava de uma enfermaria para outra, particularmente no inverno. O vento canalizado por entre os pavilhões e a Chuva fria acompanhada de vento foi criando no espírito dos administradores a necessidade de se mudar aquele estado de coisa. Mas para passar da convicção à ação foram necessários cerca de um terço de século, mesmo porque no início do século nem se poderia reformar uma obra recentemente construída.

Finalmente em 1953, por Portaria Ministerial nº284, de 8 de julho, o nosso nosocômio passou a denominar-se HOSPITAL DE GUARNIÇÃO DE BAGÉ, DENOMINAÇÃO ESTA QUE MANTÉM-SE ATÉ OS DIAS DE HOJE.

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